Arquivos de Março de 2011

Como o Google reinventou o mercado de celulares

Se tem uma coisa que os chineses, com seus celulares multi-funções – os famosos MP20, MP30, etc… – deixaram bem claro para o mundo é que hoje tecnologia é commoditie. Foi-se o tempo em que uma grande empresa lançava seu novo celular com câmera de 1.3Mp e trabalhava duro para desenvolver uma de 2 ou 3Mp para seu próximo grande lançamento. Hoje em dia funcionalidades que já são comuns nos chamados telefones xing-ling aparecem em poucos ou nenhum modelo do mercado de primeira linha. Possibilidade de uso de dois chips e TV digital são raridades enquanto micro-projetores incorporados sequer existem. Câmeras cada vez mais poderosas também vão sendo embarcadas em doses homeopáticas nos modelos vendidos pelas operadoras ao bel prazer das fabricantes, que definem sua resolução com base em estratégias comerciais.

Nada disso, no entanto, é novidade. A novidade agora fica por conta da comoditização dos sistemas operacionais lançada ao mercado pela Google por meio de seu popular sistema móvel Android. A primeira versão, a 1.5 (Cupcake) surgiu em Abril de 2009 prometendo uma verdadeira guerra contra o então único sistema operacional móvel de nova geração, o iOS da Apple. Em Setembro do mesmo ano surge a primeira atualização, a versão 1.6, apelidada de Donut. Com ela, toda uma gama de aparelhos lançados ha menos de 6 meses acabam por ficar defasadas, independente de seus aspectos técnicos de hardware. Corrida às lojas, afinal um celular com Android 1.6 deve ser melhor e o investimento certamente vale à pena. Para surpresa do mercado, em Janeiro de 2010 é lançada a versão 2.1, Eclair, que estrategicamente apresenta argumentos bastante convincentes para justificar sua adoção. Neste momento algumas fabricantes começam a se preocupar com a reprecussão das constantes atualizações e decidem oferecer a seus clientes atualizações gratuitas para a nova versão. Caso da Sony Ericsson, com sua linha de telefones Xperia X10. Lançado em 3 de Novembro de 2009, vinha equipado com processador de 1GHz, tela de 4 polegadas com resolução FWVGA (480 x 854 pixels), câmera de 8.1Mp e sistema operacional Android 1.6. Em outubro de 2010 a fabricante nipo-sueca deu início a um processo de atualização global do aparelho que, com a simples atualização para Android 2.1 passou a oferecer gravação de vídeos em HD. A empresa também tratou de deixar claro que este aparelho não receberá nenhuma nova atualização de S.O., forçando seus proprietários – eu incluído – a comprarem novos aparelhos caso queiram se manter em dia com a tecnologia.

Seguindo a história, enquanto as fabricantes tratavam de lançar aparelhos com Android 2.1 a Google anunciou, em Maio de 2010 a versão 2.2, ou Froyo, cujo principal e singelo argumento era o fato de ser de 2 a 5 vezes mais rápido que seu antecessor, Eclair. De fato, testes realizados com o aparelho Nexus One, desenvolvido pela própria Google em parceria com a HTC, demonstraram um ganho de performance na ordem de 450% após a atualização. Outra importante inovação foi o suporte a Flash 10.1 (a versão anterior dava suporte apenas ao Flash Lite 4). Estas duas características por sí só já garantiram uma nova corrida às lojas. A Hotmedia, empresa gaúcha que desenvolve e oferece soluções de audio e vídeo para Internet foi a primeira empresa a lançar uma tecnologia de entrega de áudio e vídeo 100% compatível com todos dispositivos. Com esta abordagem, o conteúdo de seus clientes pode ser visualizado independente do equipamento utilizado. Se alguém acessa um vídeo através de um tablet da Apple, o mesmo será visualizado por meio de uma solução baseada em HTML5. O mesmo ocorre para usuários de Android mais antigos. Se o acesso ocorre por meio de um PC ou Android 2.2 ou superior, o mesmo conteúdo poderá ser entregue utilizando as facilidades do Flash. Isso no entanto não é regra, e apesar da evolução do HTML 5 a grande maioria dos sites ainda depende de soluções baseadas em flash para distribuir conteúdo multimídia e de interação. Assim fica fácil entender toda essa agitação.

Em dezembro de 2010 foi lançada a versão 2.3 do Android, Gingerbread, trazendo como novidade o suporte a ondas curtas, que transformam o dispositivo em um sistema de pagamento móvel, podendo futuramente substituir os cartões de crédito e abrindo espaço para toda uma nova gama de serviços.

Ao que tudo indica a estratégia do Google tem dado resultados, já que o mercado de smartphones nos EUA em dezembro já indicava um empate técnico entre Android (27%), Blackberry (27%) e IPhone 28%. Apesar disso, o número de vendas de novos aparelhos nesta mesma época já indicava que o quadro ainda está se desenhando, uma vez que as vendas de aparelhos com Android representavam 43% do total, frente a 26% de Iphone e 20% de Blackberry. E se depender do Google, a coisa não vai parar por aí pois acaba de lançar, em Janeiro, a versão 3.0 do Android, apelidada de Honeycomb e otimizado para funcionar em telas maiores, com foco evidente no mercado de tablets, e já prepara para um futuro próximo outra versão que já tem até apelido, a IceCream. Parece que, no que depender desses caras, a vida será bastante agitada para entusiastas e para as empresas de tecnologia. Por um bom tempo.

Do MP3 ao iPhone e iPad, nós temos o controle

Já faz 10 anos que o MP3 se popularizou na internet e tornou-se o formato de mídia mais utilizado para trafegar arquivos de áudio no mundo.

O que começou como uma possibilidade de capturar as músicas do velho e bom CD e gerar uma discoteca no computador, acabou mudando completamente a maneira de ouvir música, conteúdos e até rádio, passando o controle da distribuição dos arquivos para usuários inseridos em comunidades, armados com novas gerações de dispositivos compatíveis e deixando a Indústria Fonográfica em “cheque-mate”.

Mesmo depois que as gravadoras declararam guerra contra o MP3, com suas diligências nas casas de usuários ou tentando bloquear serviços que pipocavam na internet para troca de arquivos (P2P) – e aqui podemos lembrar do Napster que voltou a virar assunto no filme Social Network (Rede Social) – , ainda assim estavam tão desesperadas em manter seu modelo de negócio que não perceberam que a culpa não era do formato compactado de arquivos, mas, sim da REDE.

Afinal, qual o sentido de ter milhões de computadores conectados pelo mundo se não for possível trocar arquivos entre eles? Sejam músicas, vídeos ou emoções. Como diz meu amigo Roberto Andrade: “A internet não é uma rede de computadores, é uma rede de pessoas”.

A indústria não demorou muito para perceber que o mundo nunca mais seria o mesmo. Começaram a “brotar” os “MP3 Players”, de todos os tamanhos e cores. Surgiram também serviços de distribuição de músicas legalizadas como o iTunes – projeto muito bem pensado por um cara chamado Steve Jobs – que, além de vender os arquivos na internet com um padrão de fácil conectividade, reinventou o MP3 Player, dando ao dispositivo status, glamour e um belo design.

Eis que surge o iPod. Mas, o cara não parou por aí, depois de inventarem o celular que também armazena arquivos MP3, Jobs não deixou por menos e inventou o MP3 Player que também é celular. E nasceu o iPhone que, além de MP3 Player e celular – hoje na sua versão 4 -, tem uma gama de aplicativos à disposição dos usuários.

O fato é que o conceito criado pela Apple revolucionou o mercado de periféricos e obrigou a indústria a entender que não se pode mais vender hardware sem serviço agregado.

Hoje, você ainda encontrará o CD do seu artista preferido por aí, mas depois de ler esse post e digitar o nome dele no Google, estará a um clique de seu último sucesso. E você nem precisa baixar a música, se preferir pode assistir ao vídeo clipe quantas vezes quiser no Youtube e, depois, enviar o link para seus amigos.

É, caro leitor, agora nós temos o CONTROLE. É bom apertar o cinto, já que a viagem está apenas começando. E o melhor disso tudo é que você nunca mais vai precisar emprestar os seus discos para aquele amigo chato que não vai lhe devolver.

* Carlos Nunes é diretor da Hotmedia – web broadcast radio & television.

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